Flúor em água de consumo: herói ou vilão?

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Flúor em água de consumo: herói ou vilão?

A importância da prevenção no combate as doenças bucais, principalmente a cárie dental, e o aumento mundial do consumo de água mineral engarrafada têm despertado a população para a concentração ideal de flúor na água. Segundo dados de 2009, o mercado mundial de águas engarrafadas atingiu 215 bilhões de litros, com um crescimento de 3,9% em relação a 2008 (207 bilhões de litros), sendo previsto para esse mercado um crescimento médio de 4,2% ao ano, nos próximos anos.

É sabido que a ingestão de fluoretos em concentrações adequadas pode aumentar a cobertura de prevenção da cárie, devido a sua capacidade de se incorporar na dentina e no esmalte dos dentes tornando-os mais resistentes ao ataque ácido do biofilme dentário. Além disso, os fluoretos ingeridos são secretados na saliva, sendo acumulados na placa, onde também promovem o decréscimo de ácido, aumentando a remineralização do esmalte; tornando os elementos dentários mais resistentes e menos suscetíveis ao ataque dos microrganismos causadores da cárie.

Em contrapartida, se a presença do flúor em concentração adequada auxilia a saúde do indivíduo, a ingestão de altas concentrações (superdosagem) pode provocar náuseas, vômito e fluorose dentária (esmalte manchado).

Visando estabelecer critérios o Ministério da Saúde, por meio da Portaria 56/1977, aprovou normas e critérios de padrão de potabilidade da água. Do ponto de vista da presença de fluoreto em águas de consumo humano, agregado ou de ocorrência natural,1,7mg F.L–1 foi fixado como Valor Máximo Permissível (VMP). Esse valor seria alterado em 2000, com a publicação da Portaria 1.469, que definiu 1,5 mg F.L–1 como VMP.

Com isso, é importante ficar atento quanto ao consumo de água engarrafada. Diante de tantos critérios que precisam ser avaliados, destacamos a concentração de flúor como componente diferencial que pode lhe agregar benefícios significativos e malefícios, até irreversíveis. O consumo de uma água de qualidade saciará não somente a sua sede, mas pode atuar como um significativo coadjuvante na sua saúde bucal!

Bárbara Rocha
Dentista e missionária da comunidade Canção Nova
CROSP 97441

Referências:

Sayed N, Ditterich RG, Pinto MHB, Wambier DS. Concentração de flúor em águas minerais engarrafadas comercializadas no município de Ponta Grossa-PR. Rev Odontol UNESP, Araraquara. 2011; 40(4): 182-186.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria 1.469, de 29 dez. 2000. Estabelece os procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, e dá outras providências. Diário Oficial da União. 19 jan 2001; Seção 1:18-22.

McDonald RE, Avery DR. Odontopediatria. Guanabara Koogan, 2001.

Villena RS, Borges DG e Cury JA. Avaliação da concentração de flúor em águas minerais comercializadas no Brasil. Rev. Saúde Pública, 30 (6): 512-8, 1996.

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